appjip — um experimento de busca da equipe deste app →

Pensamentos intrusivos: quando vem uma ideia horrível que você não quer ter

Você está segurando um bebê e passa pela cabeça a imagem de deixá-lo cair. Está na beira da plataforma do metrô e vem a ideia de pular. Está na igreja e surge um palavrão no meio da oração. O pensamento dura um segundo, mas o susto dura o dia inteiro: "por que eu pensei isso? Que tipo de pessoa pensa isso?"

Esses são os pensamentos intrusivos. E a primeira coisa que vale saber é que eles aparecem para quase todo mundo. Em pesquisas, a grande maioria das pessoas sem nenhum diagnóstico conta ter tido ideias assim. A diferença está no que acontece depois que elas chegam.

O pensamento não é um desejo

O cérebro produz ideias o tempo todo, inclusive as absurdas. Na maior parte das vezes elas passam sem você nem notar. As que grudam são justamente as que vão contra o que você mais valoriza: a mãe que ama o filho tem medo de machucá-lo, a pessoa religiosa tem pensamentos de blasfêmia, quem é cuidadoso imagina perder o controle.

Ou seja, o pensamento incomoda tanto exatamente porque não combina com você. Quem de fato quer fazer mal a alguém não costuma passar a noite em pânico com a ideia.

Por que brigar com ele faz ele voltar

Tente agora não pensar num urso branco. Pronto, ele apareceu. Quanto mais você manda um pensamento embora, mais o cérebro marca aquilo como importante e mais vezes ele volta.

Então começa o ciclo: o pensamento aparece, vem a culpa e o medo, você tenta afastar, checa se ainda está ali, procura na internet se isso é normal, pede para alguém confirmar que você não é uma pessoa ruim. O alívio dura pouco, e o pensamento volta mais forte.

Formas comuns que eles tomam

O que ajuda de verdade

Parece estranho deixar uma ideia assustadora ficar, mas é isso que faz ela perder o volume. O que mantém o pensamento vivo não é o conteúdo, é a luta contra ele.

Quando vale procurar ajuda

Se esses pensamentos ocupam horas do seu dia, se você começou a evitar facas, crianças, lugares altos ou a igreja por medo deles, ou se precisa repetir rituais (checar, contar, rezar de novo) para se acalmar, pode ser TOC. Não é falta de fé nem fraqueza, e tem acompanhamento que funciona muito bem. No SUS, as unidades básicas de saúde e os CAPS podem encaminhar, e muitas faculdades de psicologia atendem de graça ou a preço baixo.

E se, diferente do que está descrito aqui, você sente vontade real de morrer ou de se machucar, isso não é um pensamento intrusivo para ignorar. Fale com alguém hoje. O CVV atende 24 horas pelo 188, de graça e sem precisar se identificar.

O peso de não poder contar

O mais solitário dos pensamentos intrusivos é que dá vergonha de falar deles. Quem vai entender que você teve a imagem de machucar o próprio filho? Por isso tanta gente carrega isso calada por anos. Escrever sem nome o que passou pela sua cabeça, e ler alguém responder "comigo também acontece", costuma tirar mais peso do que qualquer argumento.


Se tem algo que você vem carregando calado, escrever sem colocar seu nome é um jeito de pousar isso.

Confesso — escreva no anonimato e seja acolhido

Se o peso não passa, por favor não carregue sozinho.
Brasil: CVV 188 (24h, gratuito) · Outros países: findahelpline.com