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Carência afetiva: sinais e como lidar sem depender do outro

Você manda mensagem e fica olhando o "visto por último". Passa uma hora sem resposta e a cabeça já montou três histórias: ele cansou de mim, ela está com outra pessoa, eu falei alguma coisa errada. Aí a resposta chega, é um "desculpa, tava no trabalho", e você se sente ridículo por ter passado uma hora inteira em alerta.

O mais confuso é que muitas vezes não falta carinho. Tem gente por perto, tem quem diga que gosta de você. E mesmo assim não enche. É como encher um balde furado: quanto mais atenção entra, mais rápido parece que vai embora.

Carência afetiva não é diagnóstico, é um nome popular para esse jeito de viver as relações. Isso não quer dizer que seja frescura. Quer dizer só que vale entender como ela funciona antes de sair tentando consertar.

Sinais mais comuns

Esse último sinal costuma passar despercebido. Tem gente carente que, em vez de correr atrás, se fecha antes. Quem não pede não é recusado. Por fora parece independência. Por dentro é o mesmo medo, só que com outra roupa.

Por que o carinho que chega não preenche

Quando existe uma carência antiga, o afeto de hoje é chamado a cobrir também o que faltou lá atrás. A pessoa do seu lado gosta de você agora, do jeito que ela consegue. Mas uma parte sua espera que ela compense anos de atenção que não vieram. Nenhuma pessoa consegue fazer isso, por mais que se esforce.

E aí acontece um ciclo conhecido: você pede mais, o outro se cansa, você percebe o cansaço e lê como prova de que ninguém fica. A carência confirma a si mesma. Não porque você é demais, mas porque o pedido é maior do que uma relação sozinha consegue carregar.

Um teste rápido para se situar

Pense no último ano, em qualquer relação próxima, não só em namoro. Conte quantas frases batem com você.

Até 3 frases: é o tipo de insegurança que quase todo mundo sente de vez em quando. De 4 a 7: o hábito de buscar confirmação no outro já ocupa um espaço grande. 8 ou mais: é bem provável que as relações estejam ditando o seu dia inteiro, e isso cansa. Não é um diagnóstico, é uma bússola. Mais útil que o número é notar qual frase doeu mais ao ler.

De onde isso costuma vir

Quem cresce assim aprende que afeto é condicional e pode ser retirado a qualquer momento. Faz sentido então, adulto, precisar conferir o tempo todo se ele continua ali. Naquela época, aprender isso foi um jeito de se proteger. Não foi erro seu.

Nem sempre começa na infância. Um término em que você se sentiu descartado, uma fase longa de solidão, uma mudança de cidade sem ninguém por perto também deixam marca parecida.

O que ajuda de verdade

O que costuma piorar

Quando é hora de procurar ajuda

Se cada crise na relação derruba seu sono e sua alimentação, se as relações terminam do mesmo jeito uma atrás da outra, se uma mensagem define seu dia inteiro, ou se o vazio já dura tanto que nada mais dá prazer, vale conversar com um profissional. Esse é um tema muito trabalhado em terapia, e com ajuda os gatilhos aparecem bem mais rápido do que sozinho. No SUS, os CAPS e as unidades básicas de saúde podem encaminhar para atendimento psicológico.

Se em algum momento o medo de ser deixado vier junto com vontade de se machucar, não espere passar. No Brasil o CVV atende 24 horas pelo 188, de graça e sem precisar se identificar.

Quando não dá para falar disso com ninguém

Admitir carência dá vergonha. Parece que você está pedindo demais, e contar isso para quem está perto pode soar como mais um pedido. Escrever antes costuma ser mais fácil: sem nome, sem precisar da reação de ninguém, sem medo de estar cobrando. Colocar em palavras o que você sente antes de pedir confirmação a alguém já é, por si só, um jeito de se dar um pouco do que falta.


Se tem algo que você vem carregando calado, escrever sem colocar seu nome é um jeito de pousar isso.

Confesso — escreva no anonimato e seja acolhido

Se o peso não passa, por favor não carregue sozinho.
Brasil: CVV 188 (24h, gratuito) · Outros países: findahelpline.com